Euzinha, Ângela Vilma, Mônica Menezes, Renata Belmonte e Eliana Mara, escritoras que formaram a mesa: Confissão e ficção na literatura contemporânea
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Euzinha, Ângela Vilma, Mônica Menezes, Renata Belmonte e Eliana Mara, escritoras que formaram a mesa: Confissão e ficção na literatura contemporânea
Confira: www.enacamisetas.blogspot.comLa Cache de l'Amour III
Je m'habille de ton absence
Et chaque distance c'est ton sourire
Et tout souvenir c'est l'impossibilité
De m'avoir, de nouveau, dans ton regard.
Nívia Maria Vasconcellos
in Escondedouro do Amor & Outros Versos sob a Espera*
Edições CDL, Feira de Santana
(État de Bahia - Brésil), 2008
© Nivia Maria Vasconcellos la traduction en français et Pedro Vianna pour
Pensava em se tatuar um dia. Pensava nisso há anos, pensava... sentia que seu estilo, seu tipo, seus gostos, tudo em si pedia uma marca, uma tatuagem. Mas a dor, os riscos, o medo. Desistia sempre antes mesmo de se decidir, não se permitia concretizar seu desejo. Antes, não tinha dinheiro; depois, não tinha desenho; faltava-lhe mesmo é coragem. Ia a estúdios, fazia orçamentos, ficava imaginando como se sentiria mais “ela” se tivesse a desejada “tatu”. Mas os meses, ou melhor, os anos de uma epiderme sem a querida marca se somavam. A pele de Amy Winehouse causava-lhe espanto e inveja. Via meninas pela rua cheias de tatus e as achava tão pueris para tê-las... moda, só podia ser por moda. Ela não, sentia-se preparada. No ponto. Não era uma decisão induzida, não seguia tendências que tanto odiava, uma tatuagem para ela era tão necessária para que ela fosse o que era, para comunicar isso. Mas não a tinha. Talvez fosse a voz da mãe que, desde sua infância, falava sem parar: Isso é coisa de ladrão, de gente que não presta, de mulher da vida, de maconheiro, de drogado, de gente que não presta mesmo... Quiçá, o medo de sua mãe pensar que ela fizesse parte dessa lista famigerada tolhesse sua vontade, inibisse sua realização. Não era completa sem a tatuagem, sabia que seu corpo era o lugar perfeito para uma “tatu”. Sofria com aquela ausência.Nívia Maria Vasconcellos
Tendo em vista toda a contribuição da literatura na formação da história cultural do Brasil, surgiu em nós o desejo de levar aos estudantes, não apenas desta instituição, mas de outras cidades circunvizinhas, um pouco da leitura das produções literárias na Bahia, que em muito contribuiu e tem contribuído para a manutenção da qualidade da literatura brasileira. Quando nos debruçamos sobre a obra de autores nascidos ou radicados na Bahia, percebemos a qualidade dos textos, que conseguem tratar de temáticas que vão além do regionalismo, conferindo a estes um caráter atemporal, característica de toda boa literatura.
Querida poeta. Li seu livro de uma sentada. Ele me agradou por vários motivos, mas principalmente por sua capacidade de manipular o sentimento sob forma de linguagem, sem cair no piegas como muitos que vejo hoje. Você mexe bem com as coisas prosaicas, sabendo-lhes dar seu lugar lírico. E seu verso é enxuto.
Parabéns de um fã sexagenário
Ildásio*
*Ildásio Tavares:
Pertence à geração da Revista da Bahia, com o Cyro de Mattos, Marcos Santarrita, José Carlos Capinam, Ruy Espinheira Filho e vários outros.Nasceu na atual cidade de Congogi, região do cacau da Bahia, em 25 de Janeiro de 1940. Em Salvador, formou-se em Direito e em Letras na UFBA, tendo feito o Mestrado na Southern Illinois University, o Doutorado na UFRJ e um Pós-Doutorado na Universidade de Lisboa.Publicou seu primeiro livro de poesia, Somente um canto, em 1968, e continuou publicando livros de poesia e de prosa (romances, teatro e ensaios). Participou, também, da música popular brasileira, como letrista, em gravações de Maria Bethânia, Alcione, Cláudia, Vinicius e Toquinho, Nelson Gonçalves e Maria Creuza.Foi tradutor e professor de Inglês por quase 20 anos, experiência da qual se serviu em seu livro A arte de traduzir. Sua obra poética é vasta, tendo sido apreciada por nomes expressivos da cultura no Brasil e no exterior. Carlos Nejar o considera “poeta baiano e universal”; Jorge Amado ressalta em Ildásio Tavares sua “unidade de forma e conteúdo pouco habitual em nossa poesia”; Fernando Py assinala ser o poeta “definitivamente dono da técnica de todo tipo de verso”, “para quem a arte poética já não guarda segredos.” (http://www.edicoesgalobranco.com.br/template.php?pagina=/biografias.php&id_autor=77)