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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

sábado, 21 de novembro de 2009

VERSÃO

CONSOADA

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

Manuel Bandeira

Abaixo, uma versão de Nívia Maria Vasconcellos para o poema Consoada de Manuel Bandeira:

CAÇOADA
Ao meu pai, in memorian

A indesejável das gentes chegou
(Duríssima... nem um pouco caroável).
Eu tive muito medo,
Não sorri e nada disse a iniludível.
O dia não foi bom, a noite não aconteceu.
(Só vieram dela seus sortilégios)
E nada estava pronto: campo, casa.
A mesa não estava posta,
Mas ela veio mesmo assim.
Assim, com tudo fora do lugar...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ânima Trio lança primeiro CD no Cuca

Para quem aprecia boa música e quer conhecer de perto o trabalho da nova geração de artistas feirenses, o show Ânima Trio, com lançamento do primeiro CD é o programa para quinta-feira (22), no teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), a partir das 20 horas.

O show reúne os músicos Flaviano Gallo (bateria e vocal); Sergio Canhoto (contrabaixo) e Tito Pereira (teclados e vocal). Juntos, eles apresentam um repertório sofisticado, voltado a diversas tendências e com um princípio fundamental: música de dentro pra fora, lema incorporado pelos membros da banda motivados pela vontade única de tocar o que sempre gostaram de ouvir: MPB, jazz, música clássica, fusion e, é claro, música nordestina.

O repertório inclui desde o folclore brasileiro, até nomes de importância maior para a cultura nacional, como Egberto Gismonti, sempre com uma pitada de Jazz e música instrumental. O CD Ânima Trio traz nove canções assinadas pelo poeta Roberval Pereyr e pelos cantores e compositores Márcio Pazin, Carol Pereyr, Tito Pereira e Alex Macedo. Além das músicas do CD o grupo fará um passeio pela MPB, apresentando canções de Milton Nascimento, Caetano Veloso, Luiz Gonzaga e Tom Jobim.

Ânima Trio é um projeto artístico que nasce amparado por uma sólida amizade entre seus integrantes. Antes do Ânima eles trabalharam como músicos “free lancer”, acompanhando diversos artistas locais e nacionais, a exemplo de Dominguinhos, Xangai, Valdick Soriano, entre outros. “Esse contato com variadas fontes musicais foi uma grande escola e o som do Ânima Trio é reflexo dessa atmosfera polirritimica que se respira no Brasil”, diz Tito Pereira, acrescentando que isso confere ao grupo uma característica multifacetada e sempre em busca da liberdade de expressão

Com informações da jornalista Socorro Pitombo
Assessoria Cuca/Uefs

http://www.acordacidade.com.br/noticias.asp?id=1052

terça-feira, 13 de outubro de 2009

MEMÓRIA DE UM LUGAR ANTIGO

Perdia-me sempre no branco que a parede comunicava. Lá era meu lugarzinho de todo o dia. Na casa de meus pais, o quartinho era meu vasto mundo; e eu, sua única habitante assustada. As árvores foram desaparecendo à medida que mais um cômodo surgia. No lugar da cana-de-açúcar, uma copa se erguia. A formosa e frutífera amendoeira foi ao chão para salvar o telhado que avançava. Para a festa de debutante de minhas irmãs, mais árvores sumiram ao amanhecer. Minha casa, assim, se é eu posso chamá-la de “minha”, ia ficando cada vez mais concreta, cada vez mais concreto e tijolos e divisões. A cada parede erguida, mais separações. Sempre gostei de paredes... Não quis festa nos meus quinze anos, preferi uma bicicleta. Sua velocidade me tornava invisível e ela me levava para lugares nunca antes por mim visitados, permitia-me experimentar a liberdade, a queda. Ao voltar de minhas aventuras, voltava às paredes, ao branco que me hipnotizava. Era só. Casa cheia, família, parentes, agregados, vizinhos com um quê de hospedes... não parecia com nenhum deles; por mais variados que fossem, com nenhum deles me identificava. Restava-me eu, eu só... só eu e meu quartinho improvisado. Certa vez, desenhei na parede e datei. Isso foi a marca de uma de minhas maiores subversões. Ainda está lá essa prova de meu passado. No quintal, não terra, cimento, e mais um churrasco se acumula. Aumentaram também o número de grades, a sua grossura e seu poder. Antes de tê-las, eram desnecessárias... dormíamos em tranqüilidade. Depois delas, sempre há quem confira, pelo menos, mil vezes se estão devidamente fechadas, trancadas, inacessíveis. Precisamos proteger o patrimônio e nossas vidas. É o que me diziam... Preferia a casa com muro baixo... grades finas que apresentavam seu interior: eram mais enfeites do que prisões. Muitos dizem que preferem a paz de antes. Não sei, paz? Eu e meus pensamentos. Mas, das paredes... delas... eu sempre gostei...