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terça-feira, 29 de abril de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
ENTREVISTA EXCLUSIVA COM ILDÁSIO TAVARES

Eu e o poeta Ildásio Tavares trocamos também algumas idéias numa noite soterapolitana regada à boa bebida, à boa comida e, especialmente, a bons papos. Deu-me uma vontade de compartilhar com vocês um pouco do que pensa e faz o poeta, letrista, contista, pós-doutor etc etc etc Ildásio Tavares. Fiz, então, a entrevista que abaixo se encontra. Degustem-na:
NÍVIA MARIA VASCONCELLOS - Elliot, no livro Essência da Poesia, apresenta-nos um capítulo destinado a discutir a Função Social da Poesia, como ele outros já levantaram questionamentos e esclarecimentos sobre esse assunto. Aqui no Brasil Carlos Felipe Moisés lançou um livro chamado Poesia e Utopia: A função social da poesia e do poeta. Para você, existe uma função social da poesia e do poeta? Se sim, qual seria?
IldÁsio - Esta questão tem enchido tratados, desde Horacio, docere cum delectatione, a poesia deve ensinar com deleite, até os esteticistas puros, para quem a poesia deve ser bela e pronto: até os surrealistas que mudam o conceito para a função de exprimir o inconsciente. Prefiro não falar em função da poesia e sim do poema, cuja função seria dizer o que se quer dizer com poucas palavras e muita densidade. A função do poema será a de ser um iceberg verbal, apenas 1/8 acima da superfície.
NMV - Seu primeiro livro, Somente um canto (1968), completa 40 anos este ano. Dentro dessas quatro décadas, o que mudou e permaneceu no seu fazer poético?
IldÁsio - Continua, um "ostinato rigore" como prescrevia Dante; uma busca incessante de síntese e perfeição, o poema como criação e depois depuração: um apuro métrico cada vez maior e rítmico maior ainda; um experimentalismo métrico e rítmico, acho que não mudei, aperfeiçoei o modelo de “Somente um Canto” que já mostra todos meus caminhos principais, decassílabo, redondilhas, versos livres. No que diz respeito a sensibilidade, eu apenas a apurei. As temáticas são recorrentes. Acho que, no fundo, não mudei nada. Me aprimorei, apenas.
NMV - Certa vez, afirmou que “Um dos trabalhos do poeta e do artista é descobrir a beleza onde aparentemente ela não existe, é pôr ordem no caos”. O que você define por beleza e por caos e qual a importância de um e outro para as artes em geral?
IldÁsio - Beleza em poesia é eufonia. Caos é a desordem, o disparate, o barulho, eles devem ser o material do poeta que lhe deves dar um sentido poético e não ser o espelho do barulho e da desordem, salvo quando haja um sentido estilístico.
NMV - Sempre há uma polêmica acerca das letras de músicas e das poesias. Você trabalha com os dois tipos de composição. Qual a sua postura diante dessa discussão?
IldÁsio - Pedro Lyra num famoso ensaio coloca oito diferenças entre letras e poemas que são diferentes, mas não guardam entre si hierarquia.Uma boa letra é melhor que um mau poema. A letra depende da melodia, do ritmo da melodia, e a letra tem que agradar de cara.O poema é independente e pode ser consumido devagar. A letra tem temática limitada o poema é livre. A letra se dirige a juventude, o poema a qualquer faixa etária. A letra é pra consumo imediato. O poema é duradouro.
NMV - Como você analisa a atual produção literária da Bahia e do Brasil? É otimista diante do quadro atual?
ILDÁSIO - Acho esta geração de vocês bem melhor do que a anterior onde não vejo um só poeta de nível. Eles são bons políticos, para entrarem em Academias, mas na hora de enfrentar o papel são muito ruinzinhos.
NMV - Estamos preparando um sarau em sua homenagem, momento no qual lançará seu Cd Flores do Caos aqui em Feira de Santana. Você tem até livros que fazem menção a esta cidade, como o livro de contos “O amor é um pássaro selvagem”, e já morou em Feira por vários anos. Qual a sua relação com Feira de Santana na atualidade?
ILDÁSIO - Fora vocês, Feira me esqueceu.
NMV - Deixe uma mensagem para aqueles que pretendem ingressar no mundo literário.
Aguardem o lançamento do CD Flores do Caos, em breve, em Feira de Santana ....
quinta-feira, 10 de abril de 2008
UMA REDONDILHA DE ILDÁSIO TAVARES

Rondó da redondilha
Para Erlon
Na porta da minha casa,
encontrei a redondilha.
Não foi preciso ir pra longe
pra outro país ou ilha –
abri a porta da rua,
lá estava a redondilha;
sete sílabas de dor,
a oitava maravilha.
Agora fiquei sem água
que rachou a minha bilha.
No mar, nunca mais viajo
que o barco quebrou a quilha.
Agora eu já não me caso
que o pai me negou a filha,
e o meu cão perdeu o faro,
já não acho mais a trilha.
Despertei de supetão
de minha vil relexão,
armei o meu coração,
desarmei a armadilha –
esbraseei minha brasa;
cavei minha cova rasa
no quintal de lá de casa
e plantei a redondilha.