VISUALIZAÇÕES

domingo, 28 de dezembro de 2008

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

sábado, 22 de novembro de 2008

ESTA FOI MINHA VEZ... RSRS

NÍVIA MARIA VASCONCELLOS
RECEBE PRÊMIO LITERÁRIO

Quatro autores feirenses terão suas obras publicadas pelo Prêmio CDL de Literatura, realizado pela CDL de Feira de Santana, através da Lei Rouanet, com o patrocínio da empresa Borrachas Vipal S.A.
Quarenta obras foram inscritas, a grande maioria na categoria poesia.
Os livros selecionados foram: “A Moça Pintada no Tempo e o Eu Indefinido” (Poesia), de Markus Vinícius Borges dos Santos; “Escondedouro do Amor e Outros Versos Sob A Espera” (Poesia), de Nívia Maria Vasconcelos; “O Ulisses no Supermercado” (Conto), de José de Assis Freitas Filho e “13 viagens no dia 13 – As Aventuras de Emily” (Literatura Infantil), de Daniela Santos Moris.

O prêmio, principalmente o de poesia, deve ter relevância maior, e um significado especial, pois hoje, em Feira de Santana, reside o que de melhor vem sendo produzido na poesia baiana.

Gustavo Felicíssimo

CONFIRA EM: http://sopadepoesia.zip.net/index.html

quarta-feira, 8 de outubro de 2008


Bahia de Todas as Letras
concurso literário divulga vencedores da 3º edição

Silvério Duque, vencedor na categoria Poesia

A 3ª edição do concurso literário Bahia de Todas as Letras, realização conjunta das editoras Via Litterarum e Editus/UESC, com patrocínio aos classificados em primeiro lugar pela Fundação Chaves, apresentou os seguintes resultados.

CONTOS
1º lugar, com média 8,0:
Uma vida a dois, Jocenilson Ribeiro dos Santos, de Feira de Santana
A mulher morta, Manoel Souza das Neves, de Santo Antonio de Jesus.

2º lugar, com média 7,8:
Moça à janela, Francisco Carlos Suzart Amorim, Feira de Santana.

POESIA
1º lugar, com média 8,8:
Três quadros barrocos, Silvério da Silva Duque, de Feira de Santana.

2º lugar com média 8,0:
Muitos problemas pelo preço de um, Bruno Albuquerque C. de Oliveira, de Itabuna.

3º lugar com média 7,5:
Outras notas, Andréa Conceição Costa, de Salvador.
Outros trabalhos classificados com média 7,0:

PEÇA TEATRAL
1º lugar
A máscara de pano, Hebert de Almeida Rocha, de Feira de Santana.

Na categoria ensaio literário nenhum trabalho foi inscrito.

Tenho como norma não participar de concursos literários, mas para mim foi grande a felicidade de ver Silvério Duque, meu amigo pessoal e freqüentador usual deste blog, sair vencedor do prêmio para a poesia neste que é, sem dúvida, o concurso mais idôneo que conheço.
Já disse e torno a repetir: Silvério é, para mim, entre os novos, o melhor poeta brasileiro que conheço.

domingo, 5 de outubro de 2008

sábado, 27 de setembro de 2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

domingo, 31 de agosto de 2008

sábado, 2 de agosto de 2008


MAÇÃ
Manuel Bandeira

Por um lado te vejo como um seio murcho
Por outro como um ventre
Cujo umbigo pende ainda o cordão placentário
És vermelha como o amor divino
Dentro de ti em pequenas pevidespalpita a vida prodigiosa
Infinitamente...

E quedas tão simples
Ao lado de um talher
Num quarto pobre de hotel

quarta-feira, 9 de julho de 2008

segunda-feira, 23 de junho de 2008

FEIRENSES BRILHAM NA CULTURA

por Sandro Penelú

escrito em domingo 22 junho 2008 21:49

Feira de Santana segue mostrando para os quatro cantos do país um excelente celeiro de grandes artistas e intelectuais em geral, haja vista os destaques que vêm acorrendo com alguns dos nossos nomes e isso em nível até internacional.
O artista plástico Gabriel Ferreira, este ano, recebeu um dos prêmios mais importantes do Norte-Nordeste. Outro artista plástico, César Romero, é um dos principais nomes do Brasil no exterior, com trabalhos que têm encantado o mundo.
Esta semana, o poeta Silvério Duque foi homenageado por uma das maiores mentes pensantes do Brasil, o filósofo Olavo de Carvalho. Já na semana passada, foi a vez da poetisa Nívia Maria Vasconcelos, que é considerada nacionalmente como uma das maiores contistas da atualidade.
E, como se isso não bastasse, o crítico literário Jessé Primo, autor do livro “A Linguagem da Poesia”, outro feirense ilustre, proferiu palestra, no último sábado, no Instituto Internacional de Ciências Sociais (IISC), em São Paulo, sob o tema "Bruno Tolentino e a literatura brasileira". E olhe que Jessé nem doutorado tem, o que prova que não é um título (um papel) que mostra as qualidades intelectuais de uma pessoa, mas sim o seu grau de conhecimento. Para todos esses feirenses (e outros) ilustres, eu tiro o meu chapéu por diversas vezes...

Acesse o blog do Sandro Penelú: http://informativocultural.arteblog.com.br/


quarta-feira, 7 de maio de 2008

BRUNO TOLENTINO

Bruno Lúcio de Carvalho Tolentino, menino carioca de família aristocrática, gosta de dizer que é de um tempo em que rico não roubava. O avô foi conselheiro do Império e fundador da Caixa Econômica Federal e seus tios eram intelectuais, como os escritores Lúcia Miguel Pereira e Otávio Tarquinio dos Santos, além dos primos Barbara Heliodora, a crítica teatral, e Antonio Candido, o crítico literário. Ainda era analfabeto em português quando duas preceptoras, mlle. Bouriau e mrs. Morrison, o ensinaram a conversar em francês e inglês dentro de casa. Tolentino saiu do Brasil em 1964 e, no estrangeiro, ocupou-se de árvores genealógicas de origem erudita. Orgulha-se de ter filhos com mulheres descendentes do filósofo Bertrand Russell e do poeta Rainer Maria Rilke. O mais novo, Rafael, de 8 anos, nascido em Oxford, Inglaterra, onde o pai ensinou literatura durante onze anos, é filho da francesa Martine, neta do poeta René Char. Bruno publicou livros de poesia em inglês e francês. Em 1994, lançou no Brasil As Horas de Katharina, e no fim do ano passado mais dois, Os Deuses de Hoje e Os Sapos de Ontem - todos ignorados pela crítica, pelo público e pelos curiosos.

Aos 56 anos, já de volta ao Brasil, Tolentino tem feito força para tornar-se herdeiro do embaixador José Guilherme Merquior, intelectual de boa formação e polemista musculoso. Tem conseguido aparecer. Brigou com os poetas concretos, depois com o que considera máquina de propaganda de Caetano Veloso e sua turma. Em seguida, com os críticos literários e os filósofos, elevando ainda mais o tom numa entrevista publicada por O Globo, duas semanas atrás. Fora do país, Tolentino ensinou em Oxford, Essex e Bristol e trabalhou com o grande poeta inglês W.H. Auden. Conheceu celebridades como Samuel Beckett e Giuseppe Ungaretti. Horrorizado com a possibilidade de ver o filho mais novo crescendo em escolas que ensinam as obras de letristas da MPB ao lado de Machado de Assis, abriu fogo contra o que considera o lado ruim de sua pátria

TEXTO RETIRADO DE UMA ENTREVISTA QUE BRUNO TOLENTINO CONCEDEU A REVISTA VEJA.

LEIA A ENTREVISTA POR COMPLETO EM

http://www.revista.agulha.nom.br/btolentino01e.html

quarta-feira, 16 de abril de 2008

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM ILDÁSIO TAVARES





Eu e o poeta Ildásio Tavares trocamos também algumas idéias numa noite soterapolitana regada à boa bebida, à boa comida e, especialmente, a bons papos. Deu-me uma vontade de compartilhar com vocês um pouco do que pensa e faz o poeta, letrista, contista, pós-doutor etc etc etc Ildásio Tavares. Fiz, então, a entrevista que abaixo se encontra. Degustem-na:

NÍVIA MARIA VASCONCELLOS - Elliot, no livro Essência da Poesia, apresenta-nos um capítulo destinado a discutir a Função Social da Poesia, como ele outros já levantaram questionamentos e esclarecimentos sobre esse assunto. Aqui no Brasil Carlos Felipe Moisés lançou um livro chamado Poesia e Utopia: A função social da poesia e do poeta. Para você, existe uma função social da poesia e do poeta? Se sim, qual seria?

IldÁsio - Esta questão tem enchido tratados, desde Horacio, docere cum delectatione, a poesia deve ensinar com deleite, até os esteticistas puros, para quem a poesia deve ser bela e pronto: até os surrealistas que mudam o conceito para a função de exprimir o inconsciente. Prefiro não falar em função da poesia e sim do poema, cuja função seria dizer o que se quer dizer com poucas palavras e muita densidade. A função do poema será a de ser um iceberg verbal, apenas 1/8 acima da superfície.

NMV - Seu primeiro livro, Somente um canto (1968), completa 40 anos este ano. Dentro dessas quatro décadas, o que mudou e permaneceu no seu fazer poético?

IldÁsio - Continua, um "ostinato rigore" como prescrevia Dante; uma busca incessante de síntese e perfeição, o poema como criação e depois depuração: um apuro métrico cada vez maior e rítmico maior ainda; um experimentalismo métrico e rítmico, acho que não mudei, aperfeiçoei o modelo de “Somente um Canto” que já mostra todos meus caminhos principais, decassílabo, redondilhas, versos livres. No que diz respeito a sensibilidade, eu apenas a apurei. As temáticas são recorrentes. Acho que, no fundo, não mudei nada. Me aprimorei, apenas.

NMV - Certa vez, afirmou que “Um dos trabalhos do poeta e do artista é descobrir a beleza onde aparentemente ela não existe, é pôr ordem no caos”. O que você define por beleza e por caos e qual a importância de um e outro para as artes em geral?

IldÁsio - Beleza em poesia é eufonia. Caos é a desordem, o disparate, o barulho, eles devem ser o material do poeta que lhe deves dar um sentido poético e não ser o espelho do barulho e da desordem, salvo quando haja um sentido estilístico.

NMV - Sempre há uma polêmica acerca das letras de músicas e das poesias. Você trabalha com os dois tipos de composição. Qual a sua postura diante dessa discussão?

IldÁsio - Pedro Lyra num famoso ensaio coloca oito diferenças entre letras e poemas que são diferentes, mas não guardam entre si hierarquia.Uma boa letra é melhor que um mau poema. A letra depende da melodia, do ritmo da melodia, e a letra tem que agradar de cara.O poema é independente e pode ser consumido devagar. A letra tem temática limitada o poema é livre. A letra se dirige a juventude, o poema a qualquer faixa etária. A letra é pra consumo imediato. O poema é duradouro.

NMV - Como você analisa a atual produção literária da Bahia e do Brasil? É otimista diante do quadro atual?

ILDÁSIO - Acho esta geração de vocês bem melhor do que a anterior onde não vejo um só poeta de nível. Eles são bons políticos, para entrarem em Academias, mas na hora de enfrentar o papel são muito ruinzinhos.

NMV - Estamos preparando um sarau em sua homenagem, momento no qual lançará seu Cd Flores do Caos aqui em Feira de Santana. Você tem até livros que fazem menção a esta cidade, como o livro de contos “O amor é um pássaro selvagem”, e já morou em Feira por vários anos. Qual a sua relação com Feira de Santana na atualidade?

ILDÁSIO - Fora vocês, Feira me esqueceu.

NMV - Deixe uma mensagem para aqueles que pretendem ingressar no mundo literário.

ILDÁSIO - Lasciate ogni speranza voi ch'entrate


Eu recebendo o autógrafo de Ildásio Tavares no dia 26/03/08, dia do lançamento do seu Cd Flores do Caos no Museu de Arte Sacra em SSA.

Aguardem o lançamento do CD Flores do Caos, em breve, em Feira de Santana ....





terça-feira, 15 de abril de 2008



Com a participação do Grupo ARRANJOS (Bossa Nova, Choro e Samba) dia 19/04 (sábado) às 22h


quinta-feira, 10 de abril de 2008

UMA REDONDILHA DE ILDÁSIO TAVARES


Rondó da redondilha

Para Erlon

Na porta da minha casa,

encontrei a redondilha.

Não foi preciso ir pra longe

pra outro país ou ilha –

abri a porta da rua,

lá estava a redondilha;

sete sílabas de dor,

a oitava maravilha.



Agora fiquei sem água

que rachou a minha bilha.

No mar, nunca mais viajo

que o barco quebrou a quilha.

Agora eu já não me caso

que o pai me negou a filha,

e o meu cão perdeu o faro,

já não acho mais a trilha.



Despertei de supetão

de minha vil relexão,

armei o meu coração,

desarmei a armadilha –

esbraseei minha brasa;

cavei minha cova rasa

no quintal de lá de casa

e plantei a redondilha.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Foto Histórica


Nívia Maria Vasconcellos
Rio de Janeiro - Bienal da UNE - 2001

quarta-feira, 2 de abril de 2008

OsBocasDo Inferno


Os Bocas em ação em 2001 na Bienal da UNE - UERJ -RJ

Os Bocas à paisana... foto "histórica"

(componentes em 2001: Silvério Duque, Ione Carla, Lucifrance Castro, Tito Marcos, Eva Dantas e Nívia Maria Vasconcellos)

domingo, 23 de março de 2008

ILDÁSIO TAVARES










Soneto da posse


Amar é possuir. Não mais que o gozo

quero. Não sei porque desejas tanto

escravizar-me; escravizar-te. Quanto

menos me tens, mais me terás. Gostoso

é ser-me livre, alegre, escandaloso –

o peito aberto pra cantar meu canto;

os olhos claros pra ver todo encanto;

as mãos aladas, pássaros sem pouso.

Abre-me o corpo, vem dá-me o teu vale,

e a esconsa flor que ocultas hesitante,

pois o que falo o falo sem que fale

em tom de amor. Quero vaivem, espasmo -

um corpo a corpo num só corpo palpitante,

dois no galope até o sol de um só orgasmo.


LANÇAMENTO DO CD "FLORES DO CAOS"

“A poesia é uma maneira de dizer a verdade em belos sons, agradáveis para os ouvidos. É a vivência dessa sonoridade”, diz o poeta e letrista Ildásio Tavares, que, este ano, completa 40 anos da publicação de seu primeiro livro, Somente um canto (1968). A comemoração vem a contento, com o lançamento quarta, às 18h30, no Museu de Arte Sacra (Dois de Julho), do CD As flores do caos, segundo volume da série Voz e Poesia, da Fundação Gregório de Mattos. É o próprio Ildásio quem interpreta seus escritos, com intervenção sonora do DJ Mauro Telefunksoul, o que resultou numa obra que busca a originalidade.
A gravação reúne poemas inéditos e já publicados de Ildásio, agrupados em um conjunto que faz referência a Charles Baudelaire (1821-1867), que em 1857 lançou As flores do mal, marco da poesia moderna. “Um dos trabalhos do poeta e do artista é descobrir a beleza onde aparentemente ela não existe, é pôr ordem no caos”, define. E o caos, para o escritor, tem um tempo localizado. “No século XX, estão concentradas algumas das maiores barbaridades que a humanidade já presenciou, das duas guerras mundiais aos grandes genocídios. Nasci, cresci e amadureci nessa turbulência”.

sexta-feira, 21 de março de 2008

... para não suicidar


Num trajeto qualquer

A chuva apressava os passos daqueles que queriam abrigo, os ônibus eram o destino da maioria desses pés ligeiros. Molhados, munidos de pastas e guarda-chuvas passageiros se espremiam à porta do transporte, o qual, pelo ronco do motor, ameaçava romper o asfalto. Empurrões, cotoveladas e o ônibus ia lotando à medida que todos se acomodavam sentados ou em pé numa rotina humilhante que por ser rotina deixou de ser... humilhante ou, pelo menos, não era percebida assim. Acostuma-se a tudo, o homem, penso com piedade e desdém.
Nem as sinuosas curvas faziam esse “passeio” emocionante... gritos já eram previstos e cansaços eram sentidos por cada corpo que, lançado de um lado ao outro, parecia não ter vontade própria... não, realmente, não tinham vontade própria nenhum daqueles que habitavam tal condução. E as janelas do ônibus apresentavam paisagens já vistas, um panorama já memorizado por todos que, há muito, já lhe eram indiferentes.
A casa tal, a loja tal, a rua tal, o bairro tal... tal era a repetição de imagens que a monotonia tomava conta de todo o veículo. Invariabilidade, constância que para os passageiros eram tédios cotidianos. Nem freios bruscos, aos quais, de alguma forma, seu corpo já havia se habituado, eram capazes de transgredir esse enfado. Até as batidas não assustavam mais a ninguém, faziam parte da normalidade das coisas. Atemorizar-se com isso... besteira!
Todas espécies de gentes que no ônibus estavam eram como uma só: condensada, comprimida. Descer dele era um eterno ultrapassar de obstáculos humanos, expor-se, destacar-se da massa homogeneizada, bradar pelo seu ponto o qual nem sempre era respeitado. A chuva cessou, menos no ônibus que parecia um mar de águas acumuladas. Lamas e pés confundiam-se. Não dava para separar o que era suor do que eram resquícios da chuva. Agonia, tormento, exaustão. O dia continuava a acabar no tempo perdido dentro daquele ônibus. Ninguém vive 24 horas por dia, muito menos os que se vêem obrigados a tomar lotações.
Olhares se estendiam para além das vidraças, encarnavam nos carros que um dia vislumbravam possuir. Cobiça, inveja... simples desejo, compreensível desejo. Semanas e meses se passavam nessa contínua uniformidade. Chateação de viver como não se quer. Motoristas e cobradores eram máquinas teimosas de ações repetitivas, automáticas, inumanas... eles, mais que todos, sabiam o significado da palavra fadiga. A dor que sentiam nas costas virara um hábito, quando não doíam geravam surpresa, espanto, admiração. E ao descer do ônibus pareciam permanecer no ônibus. ...
O costume é mais forte que o homem.
(VASCONCELLOS, Nívia Maria.... para não suicidar. Ed. Littera: Feira de Santana, 2006.)

sábado, 8 de março de 2008

PEDRA RETORCIDA










Passeio interior

à Mônica Vargas, Iaromila.

A noite em agosto

não é mais aquela estreita e quieta

das ruas desconfiadas daquela infância.

Não há janelas seminuas

nem boa morte de segredos adulterados.


Parte de mim

um trem com destino ao sertão daquele rio

que já não me possui.


Outra parte me retalha

nesses paralelos de chão espalmados

que cortam em cruz

a Rua da Matriz

e a casa de nº 13.


Se tivermos sorte,

haverá tempo para o amanhecer.


moraes filho, João de. Pedra retorcida. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 2004.


quinta-feira, 6 de março de 2008

DIA DA POESIA

O Dia Nacional da Poesia, 14 de Março, não por acaso, coincide com a comemoração do nascimento do grande escritor baiano Castro Alves, autor de belíssimas obras, como “Navio Negreiro” e “Espumas Flutuantes”. Sua arte era movida pelo sentimento de amor e pela luta por liberdade e justiça.
Em Itabuna, por iniciativa do Poeta e Editor Gustavo Felicíssimo e com o apoio da Editora Via Litterarum, do Centro de Cultura Adonias Filho e da FICC (Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania), essa data será marcada em 2008 por um grande evento aberto ao público e contará com a seguinte programação no dia 15, sábado:

OFICINA DE XILOGRAVURA – Facilitador: Gabriel Ferreira
Natural de Tanquinho-BA, Gabriel Ferreira desenha desde os três anos de idade, e tem em suas atividades artísticas, cuja maioria se vincula às artes plásticas, uma forma de expressão das características que absorveu em sua cidade de origem, muito ligadas às manifestações da cultura como um todo. Realiza exposições temáticas concomitantes a lançamentos de livros, participa de saraus, publica ilustrações em jornais e revistas, desenvolve oficinas de artes junto ao IMAQ - Instituto Maria Quitéria – Feira de Santana (Ponto de Cultura/Minc). Participou da Bienal do Recôncavo em 2006, da UNE Recife em 2004, Salões Regionais de Arte/Funceb em Feira de Santana-BA, Bienal do Livro SP, 2006, exposições individuais e coletivas no CUCA, MAC, MRA também em Feira. Participou da Bienal de Artes da Bahia, promovida pelo MAM. Publicou o livro de ilustrações de textos Esboços.
Trata-se duma oficina que desenvolvo junto a um Ponto de Cultura do MinC na região do Sisal na qual faço uso de materiais alternativos a madeira e a ferramentas próprias para entalhe. No caso a madeira é substituída por duratex e os formões por pregos, lâminas emprovisadas e goivas adaptadas de astes de guarda-chuva. A tinta utilizada é a de litografia, para impressão em papel de gramatura superior a 120g. Enfim, como disse, não precisa se preocupar com material.
Trata-se de uma oficina na qual é empregado o uso de materiais alternativos à madeira e às ferramentas para entalhe. A madeira é substituída por Duratex e os formões por pregos, lâminas e goivas adaptadas de hastes de guarda-chuva. A tinta utilizada é a de litografia, para impressão em papel de gramatura superior a 120g.
LOCAL: CENTRO DE CULTURA ADONIAS FILHO
Horário: 9 às 12 horas
INSCRIÇÃO: R$ 10,00

OFICINA DE LITERATURA DE CORDEL - Facilitador Jotacê Freitas:
Natural de Senhor do Bonfim, Ba, Jotacê Freitas é graduado em Pedagogia pela UNEB e é um dos mais requisitados palestrantes na área da Literatura de Cordel na Bahia, onde também exerce a função de arte-educador em Salvador.
Cordelista respeitado publicou dezenas de folhetos e venceu o Prêmio Nacional de Literatura de Cordel promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia com "Panvermina e Zabelê nas quebradas do Sertão", também foi colunista do tablóide literário SOPA e da revista POESIA & AFINS.

LOCAL: CENTRO DE CULTURA ADONIAS FILHO
Horário: 15 às 18 horas
INSCRIÇÃO: R$ 10,00

GRANDE SARAU COM LANÇAMENTO DE LIVROS
O grande sarau terá apresentação do Poeta e Editor Gustavo Felicíssimo e contará com a participação do grupo de declamação OS BOCAS DO INFERNO, de Feira de Santana. Também haverá a apresentação do Grupo Musical ARRANJOS (Bossa Nova), de Feira de Santana, do Cordelista Jotacê Freitas, de Senhor do Bonfim, do músico Itabunense Jaffet Ornelas e um bate papo sobre a vida e a obra de Castro Alves com Geraldo Maia, poeta Itabunense e maior expressão da chamada poesia marginal, na Bahia. O Sarau será aberto à participação do público.


ESTRUTURA DA PROGRAMAÇÃO DO SARAU

- Abertura com a apresentação de poemas de Valdelice Pinheiro
musicados por Jaffet Ornelas
- Apresentação do Grupo de Declamação OS BOCAS DO INFERNO
- Apresentação do Cordelista Jotacê Freitas
- Bate-papo sobre Castro Alves com o poeta Itabunense Geraldo Maia,
fundador do Movimento Poetas na Praça, representante maior da Poesia Marginal na Bahia.
- Lançamento de livros
- Volta o Grupo de Declamação OS BOCAS DO INFERNO
- Abertura para declamação dos poetas presentes
- Recital aberto à participação dos expectadores
- Fechamento com o grupo musical ARRANJOS

LOCAL: CENTRO DE CULTURA ADONIAS FILHO
Horário: das 20:00 horas em diante
Entrada: R$ 5,00


Inscrições abertas
Poderão ser efetuadas no Centro de Cultura Adonias Filho e no Quiosque Cultural, em frente ao Banco do Brasil.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O POETINHA


Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor... não cante,
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante,
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade,
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude,
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente,
Hei de morrer de amar mais do que pude.
VINICIUS DE MORAES

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

PLUGADOS & AFINS...





DIA: 26/01/2008
HORÁRIO: a partir das 17h
LOCAL: Bar Flamboyant (Serraria Brasil, em frente ao Art Brasil)

domingo, 6 de janeiro de 2008

(RE)ENCONTRO

Passei por ele para que me notasse: fui notada. E recebi o seu olhar como quem recebe flores. Vi o seu sorriso sincero e triste e suas mãos ainda pequenas, mas não tão leves como ontem: calos e não carícias, elas exprimiam, e, ao tocá-las, percebi o tempo que se infiltrou entre nós. Constrangimento e distância... é o que sobrara. Era Sábado. A manhã já havia como tantas outras manhãs de março... e nós, desiguais, estávamos um ante o outro, violentados por nossa presença, tolhidos de nossa espontaneidade. Cumprimentamo-nos decerto, se é que aquele atrapalhar-se pode ser considerado um cumprimento. Beijo, abraço: qual o comportamento devido? Por nossa situação, tínhamos que perder a força do hábito, e nossos corpos – outrora de tantos contatos e poucas censuras – tinham que se manter afastados por mais que estivessem dispostos ao prazer. Inclinados um para o outro cessamos o movimento de nosso corpo. Ele sorriu mais intensamente nestora, timidez e embaraço. Sorri também embaraçada. Não sabíamos o que fazer: demo-nos as mãos, um aberto de mão demorado e sofrido, e, acanhados, sorríamos como quem tem muito a dizer... (VASCONCELLOS, Nívia Maria. ... para não suicidar. Feira de Santana: Littera, 2006)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Seminário de Literatura, Linguagem & Expressão


Dos dias 08 a 12 de Janeiro, Cachoeira sediará o Seminário de Literatura, Linguagem & Expressão - Um evento que se propõe a construir um espaço de reflexão, fomento e vivência da experiência literária na região do Recôncavo.

O evento será viabilizado através do apoio do NESPOC – Núcleo de Estudos Sociedade, Política e Cultura da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), do Centro Cultural Dannemann, do Pouso da Palavra, da Casa de Barro. O evento tem o apoio e logística da Pró-reitoria de Extensão da UFRB.

Através de debates, recitais, exposições, palestras e oficinas, o seminário reunirá criação literária e reflexão, e todo o material que será reunido, posteriormente, se tranformatá em publicação.
Segundo o Professor Nuno Gonçalves, que está na organização do evento, a presença da UFRB, em Cachoeira, foi marcada, em 2007, por diversos momentos de experimentação poética e literária onde confluíram docentes, discentes e pessoas da cidade e da região: 'nas atividades dos equipamentos culturais, como o Centro Cultural Dannemann, Terreiro Cultural e o Pouso da Palavra, nas exibições de filmes nas ruas, nos corredores e nas paredes da universidade, a literatura tem surgido como expressão do turbilhão de experiências vivenciadas coletivamente neste primeiro ano de existência' analisa Nuno.

O Seminário concentrará atividades diversas, em locais diferentes. Veja a programação completa em anexo. Por favor, divulguem nas agendas culturais.

Para maiores informações 75 3425 27 29 (Com Nuno Gonçalves)