VISUALIZAÇÕES

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ânima Trio lança primeiro CD no Cuca

Para quem aprecia boa música e quer conhecer de perto o trabalho da nova geração de artistas feirenses, o show Ânima Trio, com lançamento do primeiro CD é o programa para quinta-feira (22), no teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), a partir das 20 horas.

O show reúne os músicos Flaviano Gallo (bateria e vocal); Sergio Canhoto (contrabaixo) e Tito Pereira (teclados e vocal). Juntos, eles apresentam um repertório sofisticado, voltado a diversas tendências e com um princípio fundamental: música de dentro pra fora, lema incorporado pelos membros da banda motivados pela vontade única de tocar o que sempre gostaram de ouvir: MPB, jazz, música clássica, fusion e, é claro, música nordestina.

O repertório inclui desde o folclore brasileiro, até nomes de importância maior para a cultura nacional, como Egberto Gismonti, sempre com uma pitada de Jazz e música instrumental. O CD Ânima Trio traz nove canções assinadas pelo poeta Roberval Pereyr e pelos cantores e compositores Márcio Pazin, Carol Pereyr, Tito Pereira e Alex Macedo. Além das músicas do CD o grupo fará um passeio pela MPB, apresentando canções de Milton Nascimento, Caetano Veloso, Luiz Gonzaga e Tom Jobim.

Ânima Trio é um projeto artístico que nasce amparado por uma sólida amizade entre seus integrantes. Antes do Ânima eles trabalharam como músicos “free lancer”, acompanhando diversos artistas locais e nacionais, a exemplo de Dominguinhos, Xangai, Valdick Soriano, entre outros. “Esse contato com variadas fontes musicais foi uma grande escola e o som do Ânima Trio é reflexo dessa atmosfera polirritimica que se respira no Brasil”, diz Tito Pereira, acrescentando que isso confere ao grupo uma característica multifacetada e sempre em busca da liberdade de expressão

Com informações da jornalista Socorro Pitombo
Assessoria Cuca/Uefs

http://www.acordacidade.com.br/noticias.asp?id=1052

terça-feira, 13 de outubro de 2009

MEMÓRIA DE UM LUGAR ANTIGO

Perdia-me sempre no branco que a parede comunicava. Lá era meu lugarzinho de todo o dia. Na casa de meus pais, o quartinho era meu vasto mundo; e eu, sua única habitante assustada. As árvores foram desaparecendo à medida que mais um cômodo surgia. No lugar da cana-de-açúcar, uma copa se erguia. A formosa e frutífera amendoeira foi ao chão para salvar o telhado que avançava. Para a festa de debutante de minhas irmãs, mais árvores sumiram ao amanhecer. Minha casa, assim, se é eu posso chamá-la de “minha”, ia ficando cada vez mais concreta, cada vez mais concreto e tijolos e divisões. A cada parede erguida, mais separações. Sempre gostei de paredes... Não quis festa nos meus quinze anos, preferi uma bicicleta. Sua velocidade me tornava invisível e ela me levava para lugares nunca antes por mim visitados, permitia-me experimentar a liberdade, a queda. Ao voltar de minhas aventuras, voltava às paredes, ao branco que me hipnotizava. Era só. Casa cheia, família, parentes, agregados, vizinhos com um quê de hospedes... não parecia com nenhum deles; por mais variados que fossem, com nenhum deles me identificava. Restava-me eu, eu só... só eu e meu quartinho improvisado. Certa vez, desenhei na parede e datei. Isso foi a marca de uma de minhas maiores subversões. Ainda está lá essa prova de meu passado. No quintal, não terra, cimento, e mais um churrasco se acumula. Aumentaram também o número de grades, a sua grossura e seu poder. Antes de tê-las, eram desnecessárias... dormíamos em tranqüilidade. Depois delas, sempre há quem confira, pelo menos, mil vezes se estão devidamente fechadas, trancadas, inacessíveis. Precisamos proteger o patrimônio e nossas vidas. É o que me diziam... Preferia a casa com muro baixo... grades finas que apresentavam seu interior: eram mais enfeites do que prisões. Muitos dizem que preferem a paz de antes. Não sei, paz? Eu e meus pensamentos. Mas, das paredes... delas... eu sempre gostei...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Crônica de Ildásio Tavares



A TURMA DE FEIRA
por Ildásio Tavares


Venho recebendo regularmente,ora de Nivia Vasconcelos, ora de Silvério Duque notícias de uma movimentação cultural no interior, mais especificamente de Feira de Santana, que ombreia em qualidade com os movimentos que possam ocorrer em Salvador. Estes ainda me dão notícia de Lucifrance, exímia declamadora de versos que me brindou com um cd em que interpreta Navio Negreiro de Castro Alves.


O grupo ainda se completa com espetáculos musicais. Decididamente poeta, e poeta sério, do soneto, do verso medido, Silvério também trauteia a clarineta e participa de espetáculos em homenagem aos grandes vultos da Música Popular Brasileira, já houve Vinicius e agora fazem um show de Noel Rosa que sobre ser um painel da música do grande gênio também exerce uma função didática, aviventando nas mentes dos mais jovens a grandeza do nosso passado.musical, do samba do Estácio.


Vejo, pelas imagens que me chegam pela internet que estes shows merecem uma produção cuidada que há a preocupação com o figurino, com o cenário além do repertório cuidado do autor que imagino receber uma execução à altura. Estes espetáculos não são meramente episódicos. Eles se enfileiram há algum tempo, sempre com a correta escolha de uma figura de relevo de nossa música.


Completa o grupo a admirável pintura de Gabriel Ferreira que não conheço pessoalmente, mas que me atrai por sua arte honesta, sem truques nem conceitos em que as imagens são tratadas com esmero artesanal para um final de perfeita solução plástica expressa por uma mão segura de um hábil colorista. Gabriel não se esconde atrás dos modismos tão encontradiços no momento presente. Parte para uma definida vocação de pintar e realiza seu desiderato plasticamente, através de sua habilidade no manejo de pinceladas às vezes vigorosas, mas nunca frouxas, nunca guiadas pelo acaso.


O grupo mexe com um elenco de músicos e de cantoras que passa para mim a idéia de um trabalho, mesmo sem ter tido a oportunidade de escutar a tudo. Não há uma intenção esporádica de um pulo no escuro. Há um trabalho seqüencial que admira quando se pensa na dificuldade de se fazer arte, mormente no interior. A turma de Feira merece nosso aplauso e nosso incentivo. A poesia de Silvério está sempre em progressão, perfeccionando seu decassílabo, burilando seu soneto, forma a que se dedica com afinco.


Nivia Maria, versátil, vertical, com esta seriedade e dedicação que só mesmo as mulheres tem, moureja no conto e no poema.. Já é mestre em Letras, caminha para o doutoramento. Já tive oportunidade de me pronunciar sobre algo que considero essencial na linguagem literária e que Nivia Maria esgrime com perfeição. Refiro-me ao poder de síntese que, no conto, a faz caracterizar o personagem e por extensão a história com poucas palavras. Na poesia ela nada desperdiça, obedecendo a Ezra Pound que afirmava ser a poesia a arte de dizer muito com poucas palavras... E Nivia não é desse poetas inspirados. Por seu conhecimento da técnica, é uma criadora consciente.



Tribuna da Bahia, 05 de outubro de 2009.