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quinta-feira, 8 de maio de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

BRUNO TOLENTINO

Bruno Lúcio de Carvalho Tolentino, menino carioca de família aristocrática, gosta de dizer que é de um tempo em que rico não roubava. O avô foi conselheiro do Império e fundador da Caixa Econômica Federal e seus tios eram intelectuais, como os escritores Lúcia Miguel Pereira e Otávio Tarquinio dos Santos, além dos primos Barbara Heliodora, a crítica teatral, e Antonio Candido, o crítico literário. Ainda era analfabeto em português quando duas preceptoras, mlle. Bouriau e mrs. Morrison, o ensinaram a conversar em francês e inglês dentro de casa. Tolentino saiu do Brasil em 1964 e, no estrangeiro, ocupou-se de árvores genealógicas de origem erudita. Orgulha-se de ter filhos com mulheres descendentes do filósofo Bertrand Russell e do poeta Rainer Maria Rilke. O mais novo, Rafael, de 8 anos, nascido em Oxford, Inglaterra, onde o pai ensinou literatura durante onze anos, é filho da francesa Martine, neta do poeta René Char. Bruno publicou livros de poesia em inglês e francês. Em 1994, lançou no Brasil As Horas de Katharina, e no fim do ano passado mais dois, Os Deuses de Hoje e Os Sapos de Ontem - todos ignorados pela crítica, pelo público e pelos curiosos.

Aos 56 anos, já de volta ao Brasil, Tolentino tem feito força para tornar-se herdeiro do embaixador José Guilherme Merquior, intelectual de boa formação e polemista musculoso. Tem conseguido aparecer. Brigou com os poetas concretos, depois com o que considera máquina de propaganda de Caetano Veloso e sua turma. Em seguida, com os críticos literários e os filósofos, elevando ainda mais o tom numa entrevista publicada por O Globo, duas semanas atrás. Fora do país, Tolentino ensinou em Oxford, Essex e Bristol e trabalhou com o grande poeta inglês W.H. Auden. Conheceu celebridades como Samuel Beckett e Giuseppe Ungaretti. Horrorizado com a possibilidade de ver o filho mais novo crescendo em escolas que ensinam as obras de letristas da MPB ao lado de Machado de Assis, abriu fogo contra o que considera o lado ruim de sua pátria

TEXTO RETIRADO DE UMA ENTREVISTA QUE BRUNO TOLENTINO CONCEDEU A REVISTA VEJA.

LEIA A ENTREVISTA POR COMPLETO EM

http://www.revista.agulha.nom.br/btolentino01e.html

terça-feira, 29 de abril de 2008

quarta-feira, 16 de abril de 2008

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM ILDÁSIO TAVARES





Eu e o poeta Ildásio Tavares trocamos também algumas idéias numa noite soterapolitana regada à boa bebida, à boa comida e, especialmente, a bons papos. Deu-me uma vontade de compartilhar com vocês um pouco do que pensa e faz o poeta, letrista, contista, pós-doutor etc etc etc Ildásio Tavares. Fiz, então, a entrevista que abaixo se encontra. Degustem-na:

NÍVIA MARIA VASCONCELLOS - Elliot, no livro Essência da Poesia, apresenta-nos um capítulo destinado a discutir a Função Social da Poesia, como ele outros já levantaram questionamentos e esclarecimentos sobre esse assunto. Aqui no Brasil Carlos Felipe Moisés lançou um livro chamado Poesia e Utopia: A função social da poesia e do poeta. Para você, existe uma função social da poesia e do poeta? Se sim, qual seria?

IldÁsio - Esta questão tem enchido tratados, desde Horacio, docere cum delectatione, a poesia deve ensinar com deleite, até os esteticistas puros, para quem a poesia deve ser bela e pronto: até os surrealistas que mudam o conceito para a função de exprimir o inconsciente. Prefiro não falar em função da poesia e sim do poema, cuja função seria dizer o que se quer dizer com poucas palavras e muita densidade. A função do poema será a de ser um iceberg verbal, apenas 1/8 acima da superfície.

NMV - Seu primeiro livro, Somente um canto (1968), completa 40 anos este ano. Dentro dessas quatro décadas, o que mudou e permaneceu no seu fazer poético?

IldÁsio - Continua, um "ostinato rigore" como prescrevia Dante; uma busca incessante de síntese e perfeição, o poema como criação e depois depuração: um apuro métrico cada vez maior e rítmico maior ainda; um experimentalismo métrico e rítmico, acho que não mudei, aperfeiçoei o modelo de “Somente um Canto” que já mostra todos meus caminhos principais, decassílabo, redondilhas, versos livres. No que diz respeito a sensibilidade, eu apenas a apurei. As temáticas são recorrentes. Acho que, no fundo, não mudei nada. Me aprimorei, apenas.

NMV - Certa vez, afirmou que “Um dos trabalhos do poeta e do artista é descobrir a beleza onde aparentemente ela não existe, é pôr ordem no caos”. O que você define por beleza e por caos e qual a importância de um e outro para as artes em geral?

IldÁsio - Beleza em poesia é eufonia. Caos é a desordem, o disparate, o barulho, eles devem ser o material do poeta que lhe deves dar um sentido poético e não ser o espelho do barulho e da desordem, salvo quando haja um sentido estilístico.

NMV - Sempre há uma polêmica acerca das letras de músicas e das poesias. Você trabalha com os dois tipos de composição. Qual a sua postura diante dessa discussão?

IldÁsio - Pedro Lyra num famoso ensaio coloca oito diferenças entre letras e poemas que são diferentes, mas não guardam entre si hierarquia.Uma boa letra é melhor que um mau poema. A letra depende da melodia, do ritmo da melodia, e a letra tem que agradar de cara.O poema é independente e pode ser consumido devagar. A letra tem temática limitada o poema é livre. A letra se dirige a juventude, o poema a qualquer faixa etária. A letra é pra consumo imediato. O poema é duradouro.

NMV - Como você analisa a atual produção literária da Bahia e do Brasil? É otimista diante do quadro atual?

ILDÁSIO - Acho esta geração de vocês bem melhor do que a anterior onde não vejo um só poeta de nível. Eles são bons políticos, para entrarem em Academias, mas na hora de enfrentar o papel são muito ruinzinhos.

NMV - Estamos preparando um sarau em sua homenagem, momento no qual lançará seu Cd Flores do Caos aqui em Feira de Santana. Você tem até livros que fazem menção a esta cidade, como o livro de contos “O amor é um pássaro selvagem”, e já morou em Feira por vários anos. Qual a sua relação com Feira de Santana na atualidade?

ILDÁSIO - Fora vocês, Feira me esqueceu.

NMV - Deixe uma mensagem para aqueles que pretendem ingressar no mundo literário.

ILDÁSIO - Lasciate ogni speranza voi ch'entrate


Eu recebendo o autógrafo de Ildásio Tavares no dia 26/03/08, dia do lançamento do seu Cd Flores do Caos no Museu de Arte Sacra em SSA.

Aguardem o lançamento do CD Flores do Caos, em breve, em Feira de Santana ....





terça-feira, 15 de abril de 2008



Com a participação do Grupo ARRANJOS (Bossa Nova, Choro e Samba) dia 19/04 (sábado) às 22h


quinta-feira, 10 de abril de 2008

UMA REDONDILHA DE ILDÁSIO TAVARES


Rondó da redondilha

Para Erlon

Na porta da minha casa,

encontrei a redondilha.

Não foi preciso ir pra longe

pra outro país ou ilha –

abri a porta da rua,

lá estava a redondilha;

sete sílabas de dor,

a oitava maravilha.



Agora fiquei sem água

que rachou a minha bilha.

No mar, nunca mais viajo

que o barco quebrou a quilha.

Agora eu já não me caso

que o pai me negou a filha,

e o meu cão perdeu o faro,

já não acho mais a trilha.



Despertei de supetão

de minha vil relexão,

armei o meu coração,

desarmei a armadilha –

esbraseei minha brasa;

cavei minha cova rasa

no quintal de lá de casa

e plantei a redondilha.