
VISUALIZAÇÕES
sábado, 5 de junho de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
DAMÁRIO DA CRUZ

Certo vôo
Cada
pássaro
sabe
a rota
do retorno.
Cada
pássaro
sabe
a rota
de si.
Cada
pássaro,
na rota,
sabe-se
pássaro.
domingo, 2 de maio de 2010
LANÇAMENTO DE SILVÉRIO DUQUE

É com muito prazer e orgulho que convido a todos para o lançamento de meu mais novo livro, A pele de Esaú, (Via Litterararum, 2010).
Próximo dia 06 de maio, no foyer do Teatro do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), que fica à rua Conselheiro Franco, nº 66, Centro Feira de Santana-BA.
O lançamento contará com as declamações de Lucifrance Castro (grupo de declamação Os Bocas Do Inferno) e do poeta Patrice de Moraes, além de exposição temática do artista plástico Gabriel Ferreira e da música de Paulo Akenaton e seus convidados.

quinta-feira, 8 de abril de 2010
INSONE
Por esta noite,
eu sou este insone
que passa, pela escuridão, despercebido...
Como a beleza,
não tão bela, pois acessível,
as madrugadas são olhares às janelas:
Insonolências,
luas, estrelas, auroras,
e o agora (sempre) uma junção de quimeras
http://www.gostodeler.com.br/materia/12280/insone.html
sexta-feira, 26 de março de 2010
ANIVERSÁRIO

Álvaro de Campos
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
Pintura de Pollock
domingo, 14 de março de 2010
EM HOMENAGEM AO DIA DA POESIA

POEMAS AOS HOMENS DE NOSSO TEMPO
Enquanto faço o verso, tu decerto vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo
Contempla o teu viver que corre, escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.
O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
“Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas”.
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.
E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto.
HILDA HILST
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